Dia do Trabalhador: 130 anos de luta renovada

Kyra Piscitelli *

 O 1° de maio é o momento em que os trabalhadores têm para refletir sobre cidadania, união e direitos. Os professores e professoras sabem disso: esta data não pode, de forma alguma, ser vista apenas como mais um feriado. Ela marca o potencial de voz do trabalhador, que deve ser sujeito da sua história e e de suas conquistas.

 A data celebrada em cerca de 80 países pelo mundo marca importantes conquistas para os trabalhadores brasileiros. Foi em um dia primeiro de maio em que o presidente Getúlio Vargas, por exemplo, instituiu o Salário Mínimo (em 1940), e que foram implantadas a Justiça do Trabalho e a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), ambas em 1941.

 A história do 1° de maio como dia de luta nasceu de 1886, quando trabalhadores americanos da cidade de Chicago realizaram uma paralisação por melhor condições de trabalho. No ano seguinte, alguns países europeus, inspirados no movimento, também pararam em protesto.

 Mas foi em 1889 que a data ganhou notoriedade. Operários em Paris, capital da frança, decidiram homenagear a paralisação como uma data para o trabalhador.  

A primeira conquista do Dia do Trabalhador veio em 1891, quando os trabalhadores franceses conquistaram a jornada de oito horas. No Brasil, a data ganhou força com a chegada de imigrantes europeus ao país e só tornou-se data oficial em 1925, após decreto do presidente Artur Bernardes.

 Hoje, no aniversário de 130 anos de lutas dos trabalhadores pelo mundo, o Brasil vive um momento conturbado quanto à manutenção dos direitos conquistados por quem trabalha.

 Com uma crise política e econômica grave, os direitos estão sendo seriamente ameaçados. Em meio a um congresso conservador, 55 projetos de lei avançam para retirar conquistas da classe trabalhadora como férias e Convenção Coletiva.

 Mais do que em outros momentos, é a hora de entender que o 1° de maio é antes de tudo a busca de manutenção de direitos já adquiridos ao longo de quase duzentos anos de história de luta. E impedir o retrocesso.

*Kyra Piscitelli é jornalista na Fepesp.

Ilustração: Gilberto Maringoni.


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