Nesta quarta-feira (10), a greve dos professores da rede estadual de São Paulo completou 87 dias. É a mais longa paralisação da história desta combativa categoria. Neste longo período, os docentes enfrentam a truculência do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que se recusa a negociar, cortou o ponto dos grevistas e faz constantes ameaças de retaliação. Eles também esbarram na manipulação da imprensa chapa-branca, nutrida com farta publicidade do governo tucano. Num primeiro momento, a mídia patronal tentou invisibilizar a greve, transformando-a numa “não notícia”. Agora ela já partiu abertamente para a criminalização do movimento, tentando jogar a sociedade contra os grevistas.

Numa ação que parece combinada, os dois principais diários de São Paulo têm produzido factoides negativos contra os professores. Na quarta-feira passada (3), por exemplo, o Estadão – nada familiarizado com uma assembleia de trabalhadores – procurou estimular a cizânia entre os docentes que aprovaram a continuidade da paralisação. “Os grevistas estavam divididos e foi preciso fazer duas votações para que se chegasse a uma conclusão... Minutos antes da votação, seguranças que trabalhariam para o Sindicato dos Professores do Ensino do Estado de São Paulo (Apeoesp), que lidera a paralisação, entraram em confronto com professores em frente ao caminhão de som”. Puro jogo de intrigas!

Já a Folha, em matéria publicada no mesmo dia, afirmou que “a continuidade da greve foi decidida após troca de socos e chutes na assembleia” e garantiu que a adesão ao movimento está em queda. O autor da “reportagem”, Fábio Takahashi, não fez qualquer crítica à postura provocadora do governo tucano. Nem sequer questionou a ausência de uma proposta de acordo do Palácio dos Bandeirantes. O clima de terror na redação da Folha, que já demitiu dezenas de trabalhadores e trata os que ainda estão empregados como escravos precarizados, talvez explique este tipo de “cobertura jornalística”. Também ajuda a entender a baixíssima capacidade de resistência dos jornalistas diante dos “companheiros patrões”.

O mesmo repórter, em outra “reportagem”, já havia afirmado que a greve dos docentes paulistas foi decretada em 13 de março, “em meio a um ato em defesa de direitos trabalhistas que reuniu diferentes sindicatos e movimentos sociais e também serviu de apoio ao governo da presidente Dilma (PT)”. Selecionado pela direção da Folha para cobrir a paralisação, o jornalista amestrado também insiste em jogar a sociedade contra os grevistas. “Greve dos professores esfria” e “os pais já pressionam os diretores para definirem a melhor forma de reposição das aulas perdidas”, escreveu no final de maio. Todas as suas “reporcagens” apostam no esvaziamento da greve e escondem o “picolé de chuchu” Geraldo Alckmin.

O mesmo tipo de “cobertura jornalística” é observado nas emissoras de rádio e televisão – em alguns casos, de maneira ainda mais hidrófoba –, o que evidencia que a mídia patronal não tem qualquer tipo de isenção. Historicamente, ela sempre foi contrária à luta dos trabalhadores. E nem poderia ser diferente. Afinal, ela explora e humilha centenas de jornalistas e não gostaria de vê-los se rebelando contra as demissões, os baixos salários e a precarização do trabalho – a tal “pejotização”. Neste sentido, ela conta com a ajuda de seus serviçais para estigmatizar e criminalizar a prolongada paralisação dos professores de São Paulo, divulgando apenas as suas dificuldades e impasses.


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