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Pensando e agindo globalmente: a questão
ambiental
A ação do ser humano sobre o meio ambiente tem várias
conseqüências. O aquecimento global, o aumento do buraco
na camada de ozônio, a diminuição das reservas
de água doce e da biodiversidade, a extinção
da fauna e da flora. Assim como o aumento da fome e do desemprego
demonstram que não estamos sendo capazes de conviver em harmonia
com a nossa casa, a Terra.
A natureza é herança da humanidade, um bem de todas
as criaturas, e sua preservação passa pela luta contra
as estruturas criminosas do modelo econômico hegemônico
no planeta, que transforma tudo em mercadoria.
Solidariedade necessária
O que se observa é que o modelo de desenvolvimento e organização
do espaço, até aqui
implementado pelo capitalismo, em suas muitas fases, somente agravou
a questão ambiental.
Um novo paradigma de sociedade é necessário, um modelo
centrado na solidariedade
e na igualdade, capaz de olhar sobre todas as dimensões que
envolvem a vida em sociedade de forma integrada, sem a fragmentação
que impera nas análises atuais.
Se a humanidade compreender que a “paisagem é sempre
uma herança”, e que “mais do que simples espaços
territoriais, os povos herdam paisagens e ecologias, pelas quais
certamente são responsáveis, ou deveriam ser responsáveis”[Ab’Saber],
certamente nossa abordagem e comprometimento com as causas ambientais
seria muito mais ampla.
É bastante evidente que a manutenção deste
sistema econômico, centrado tão somente no
acúmulo de capitais, impossibilita uma relação
harmônica com o meio ambiente e o próprio ser humano.
A compreensão do meio ambiente como uma herança, nos
leva ao entendimento que estamos diante de um de um bem para toda
a humanidade.
O Teólogo Leonardo Boff afirma que: “tudo o que existe
e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver: desde
uma planta, um animal, uma criança, enfim o planeta Terra”.
Este cuidado expressa a solidariedade necessária.
É necessário compreender que o aumento dos níveis
de pobreza, da degradação do ambiente e do desemprego,
são todos fenômenos que estão intimamente interligados
e têm como origem um sistema econômico, que exclui e
marginaliza ao mesmo tempo em que explora o ambiente em seu desejo
insaciável de lucro.
Uma ação necessária
Como afirma o sociólogo István Mészáros
“O slogan superficialmente tentador ‘pense globalmente,
aja localmente’ é um exemplo interessante”. A
questão ambiental não pode ser analisada e discutida
tão somente em nível local, ela, assim como, o desemprego,
a fome, e a exclusão, deve ser pensada e combatida também
globalmente.
Pensar o ambiente somente na esfera local e isolada de outros temas,
é efetuar a analise
simplista apontada por Ab’Saber, e que não contribui
para uma mudança efetiva rumo a preservação
e conservação do planeta e a justiça social.
As questões ambientais, muito embora percebidas, mais fascilmente
em nível local, tem
origem global, por isso são necessárias ações
articuladas também globais, um exemplo é o
debate sobre o tratado de Kioto e a negação dos EUA
em assinar o tratado.
Desta forma...
Como cuidar desta herança? Que futuro nós estamos
construindo para as próximas gerações se mantivermos
os níveis de degradação ambiental?
Não existem respostas simples para questões complexas.
Esta deve ser a nossa primeira
constatação.
O certo é que já faz algumas décadas que o
discurso ecológico ganhou espaço na mídia,
e nas plataformas políticas, mas quase sempre como forma
de silenciar, ou contentar temporariamente aqueles que levantam
a bandeira da questão ecológica.
Observa-se uma infinidade de documentários e programas feitos
para a TV que pretendem discutir e alertar para a questão
ambiental, entretanto estes mesmos programas não sensibilizam,
não educam e não tocam na questão central:
o modelo de desenvolvimento econômico imposto, ao mundo, pelas
grandes potencias capitalistas.
Existe muito para ser debatido e discutido, a temática ambiental
é ampla e complexa, perpassa por outras questões e
por isso não é possível uma aproximação
que não seja interdisciplinar.
Entretanto, em um sistema que transforma tudo em mercadoria, é
de se esperar que o meio ambiente também seja tratado desta
forma, sendo explorado e vilipendiado.
Terminamos com as palavras do sociólogo inglês István
Mészáros:
“Quando Jonas Salk recusou-se a patentear a sua descoberta
da vacina contra a poliomielite, dizendo que seria o mesmo que pretender
"patentear o Sol", ele não imaginava que chegaria
o tempo em que o capital seria forçado a tentar exatamente
isso, patentear não somente o sol, mas também o ar,
ainda que isso implicasse o abandono de toda preocupação
pelos perigos mortais que essas ambições trazem para
a sobrevivência humana”.
Assim, é necessário compreender que a luta dos ambientalistas
é a mesma dos trabalhadores, estudantes e de todos aqueles
e aquelas que acreditam que um outro mundo é possível,
um mundo marcado pela valorização do humano e pela
igualdade entre as pessoas.
Prof. Oswaldo de Oliveira Santos Jr.
Referência bibliográfica
AB´SABER, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil,
São Paulo, Ateliê Editorial, 2003.
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano:compaixão
pela terra.
Petrópolis, Vozes, 1999.
MÉSZÁROS, István. O século XXI, socialismo
ou barbárie? São Paulo, Boitempo, 2003. |